Em 2024, Justin Lester, pastor da Friendship Baptist Church em Vallejo, Califórnia, desenvolveu um modelo de linguagem personalizado para sua igreja, utilizando seus sermões para criar materiais para pequenos grupos e auxiliar outros líderes religiosos na elaboração de lições. Para Lester, a integração da inteligência artificial (IA) no contexto religioso é fundamental para o crescimento espiritual e a formação da comunidade. Ele afirma: ‘Jesus disse que faríamos coisas maiores, e eu acho que (a IA) faz parte do ‘maior’.’
A IA está transformando a maneira como as pessoas interagem com sua fé, desde simulações de conversas com figuras religiosas até a criação de sermões. Contudo, essa tendência gera preocupações entre acadêmicos e líderes religiosos sobre os potenciais riscos e danos que a tecnologia pode trazer.
Um exemplo é Siraj Raval, um ateu convicto que encontrou um chatbot chamado ‘TalkToHim’, que simula conversas com Jesus. Ele relata ter se sentido ouvido por uma ‘presença divina’ ao usar o aplicativo para discutir questões espirituais. Raval considera a experiência mais enriquecedora do que a leitura de textos religiosos tradicionais.
Em uma abordagem mais experimental, a Capela de São Pedro, na Suíça, instalou um avatar de Jesus feito por IA em seu confessionário. Marco Schmid, teólogo da igreja, ficou surpreso com a seriedade com que as pessoas encararam a experiência, com alguns até agradecendo ao chatbot.
Por outro lado, o rabino Josh Fixler, da Congregação Emanu El em Houston, utilizou o ChatGPT para gerar um sermão durante as Grandes Festas Judaicas de 2023, mas expressou preocupações sobre a precisão das informações apresentadas pelo modelo.
Embora a tecnologia tenha impulsionado a inovação religiosa ao longo das décadas, a IA parece estar remodelando a experiência de fé de maneiras sem precedentes. Steven Croft, bispo de Oxford, ressalta a importância da interação humana na prática religiosa, enquanto outros acadêmicos, como Beth Singler, levantam questões éticas sobre a representação de líderes religiosos por chatbots.
Yaqub Chaudhary, pesquisador da Universidade de Cambridge, questiona se a IA pode fornecer informações religiosas válidas, especialmente no contexto do Islã, que considera o Alcorão a palavra direta de Deus. A discussão sobre os limites da IA na religião continua a evoluir, refletindo a complexidade da interação entre tecnologia e espiritualidade.


