O governo brasileiro anunciou, no início de fevereiro, um aumento no imposto de importação para mais de mil produtos, incluindo celulares, com o objetivo de estimular a competitividade da indústria nacional. O incremento pode chegar a até 7,2 pontos percentuais, impactando tanto setores quanto consumidores que costumam recorrer a compras internacionais.
A medida não afetará os smartphones fabricados no Brasil, que correspondem a 95% dos aparelhos vendidos no país, conforme informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Os 5% restantes são importados, principalmente da China.
A decisão também garante isenção de imposto para componentes que não possuam similar nacional. Marcas como Samsung, Motorola e Apple já montam seus dispositivos no Brasil, o que as exclui do impacto do novo imposto. No entanto, empresas como a Xiaomi, que não possuem montagem local, podem ser afetadas. O g1 entrou em contato com a Xiaomi, mas ainda aguarda retorno.
O advogado tributarista Roberto Beninca explica que a elevação das alíquotas pode encarecer produtos importados. Por exemplo, um celular de US$ 600, com a nova alíquota, pode ter um imposto de importação que eleva seu custo final significativamente. Além disso, a crise na oferta global de memória RAM pode intensificar o impacto nos preços.
O governo justifica a mudança como uma forma de reequilibrar os preços entre produtos nacionais e importados, dada a alta dependência do Brasil em relação a produtos eletrônicos do exterior, especialmente da China, que representa 46% das importações desse setor.


