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Maioria dos ambulantes de SP trabalham mais de 44 horas e não querem mudar de profissão, aponta pesquisa inédita do Dieese

Um levantamento inédito do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) traçou o perfil de cerca de 12 mil trabalhadores ambulantes que atuam em pontos fixos na cidade de São Paulo. A pesquisa revela que, apesar das dificuldades enfrentadas na atividade, a maioria dos ambulantes não pretende mudar de profissão.

O estudo, realizado entre julho e agosto de 2025, aponta que a maioria dos trabalhadores ambulantes tem jornadas de trabalho superiores a 44 horas semanais e uma renda média inferior à dos demais trabalhadores da capital. Por exemplo, os ambulantes recebem cerca de R$ 3 mil por mês, o que representa pouco mais da metade da renda média de R$ 5 mil dos trabalhadores da cidade.

Na Rua da Juta, no bairro do Brás, um dos locais com maior concentração de ambulantes, a rotina começa cedo. Os vendedores precisam agir rapidamente quando fiscais ou policiais se aproximam, recolhendo suas mercadorias para evitar apreensões. A mobilização entre os trabalhadores é comum, e muitos afirmam que a abordagem frequente e o risco de perda de produtos são parte do cotidiano.

A pesquisa também destaca que a violência é um dos principais problemas enfrentados pelos ambulantes. De acordo com os dados, 24% dos entrevistados relataram ter sofrido algum tipo de violência, incluindo confisco de mercadorias e agressões verbais ou físicas. Além disso, a maioria dos ambulantes, 56%, atua sem autorização formal da prefeitura, o que torna a regularização da atividade um desafio.

O perfil dos trabalhadores ambulantes é predominantemente masculino, com a maioria sendo homens pretos ou pardos, com média de idade de 40 anos. O estudo também revela que 68% dos ambulantes são brasileiros, enquanto 32% são imigrantes, principalmente de países da América do Sul. Apesar das dificuldades, 73% dos trabalhadores afirmaram que não gostariam de mudar de profissão.

Entre as principais demandas da categoria estão a regularização dos pontos de venda, regras mais flexíveis para o trabalho legal, o fim das apreensões de mercadorias e melhores condições nas ruas, como a disponibilização de banheiros públicos e mais segurança.

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