Uma nova trend no TikTok, intitulada “treinando caso ela diga não”, tem gerado preocupações ao simular agressões a mulheres em resposta a rejeições românticas. Os vídeos, que se tornaram virais nas últimas semanas, mostram criadores encenando reações violentas após pedidos de namoro ou casamento não aceitos.
Segundo uma análise do g1, a trend é composta por vídeos que acumulam mais de 175 mil interações e que foram publicados por perfis com seguidores que variam de 883 a 177 mil. A Polícia Federal (PF) já iniciou investigações e derrubou perfis que promovem esse tipo de conteúdo, que foi considerado uma violação das Diretrizes da Comunidade do TikTok.
Esse fenômeno ocorre em um contexto alarmante, onde o Brasil registrou um recorde de feminicídios em 2025, com 1.470 mulheres assassinadas ao longo do ano, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A média indica que quatro mulheres foram assassinadas por dia no país.
A pesquisadora Raquel Saraiva, do Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife, destaca que conteúdos desse tipo tendem a se espalhar rapidamente nas redes sociais, gerando engajamento, enquanto vídeos educativos sobre a violência de gênero têm menor alcance. A deputada federal Duda Salabert acionou o Ministério Público para investigar o impacto desses vídeos, que podem normalizar a violência contra as mulheres.
Recentemente, casos de violência real contra mulheres em situações de rejeição foram registrados, incluindo uma jovem esfaqueada no Rio de Janeiro e outra que foi atacada e teve seu corpo incendiado em Pernambuco. A repercussão da trend levou a um pedido formal para que a Procuradoria-Geral da República apure os conteúdos que incitam a violência.


