A especialista em educação Noelia Valle, professora da Universidade Francisco de Vitoria, na Espanha, afirma que estudar por mais horas não necessariamente resulta em um aprendizado mais eficaz. Em entrevista ao BBC News Mundo, ela compara o processo de aprendizado a tentar encher uma garrafa d’água com uma mangueira de incêndio, onde a maior parte da água se derrama e a garrafa permanece quase vazia.
Segundo Valle, o cérebro humano aprende por integração, e não por acumulação. Ela explica que a memória de trabalho, que é a capacidade de manipular informações temporariamente, possui um limite de cinco a nove elementos. Exceder essa capacidade resulta em perda de informações.
A educadora destaca que a carga cognitiva, que é o esforço mental necessário para processar novas informações, pode ser intrínseca ou extrínseca. A primeira refere-se à dificuldade do tema, enquanto a segunda é influenciada por fatores como distrações e explicações confusas.
Valle sugere que os estudantes devem estudar de forma mais distribuída ao longo do tempo, fazendo pausas para descansar e permitindo que as informações se consolidem. Além disso, ela recomenda que os alunos expliquem o que aprenderam a outra pessoa, pois o esforço de recuperação da informação é crucial para a aprendizagem.
O sono também desempenha um papel vital na consolidação da memória, e o ambiente de estudo deve ser organizado e livre de distrações. Por fim, Valle enfatiza que o aprendizado eficaz envolve entender e respeitar as limitações do cérebro, utilizando estratégias que minimizem esforços desnecessários.


