Estudos recentes indicam que dedicar mais tempo ao estudo não necessariamente resulta em uma melhor retenção de informações. A especialista em educação Noelia Valle, professora da Universidade Francisco de Vitoria, explica que a eficácia do aprendizado está mais relacionada à qualidade do estudo do que à quantidade de horas dedicadas.
Valle compara o processo de aprendizado ao ato de encher uma garrafa d’água com uma mangueira de incêndio: a maior parte da água se derrama, e a garrafa continua quase vazia. O cérebro humano aprende melhor por integração do que por acumulação.
A memória de trabalho, que é a capacidade do cérebro de manipular informações temporariamente, tem um espaço limitado, podendo conter apenas de cinco a nove elementos. Quando essa capacidade é excedida, as informações se perdem. Portanto, o aprendizado deve ser organizado em ‘chunks’, ou unidades de informação, para facilitar a retenção.
Valle sugere que estudar em sessões curtas e frequentes, com intervalos para descanso, é mais eficaz do que longas maratonas de estudo. Além disso, transformar informações em esquemas ou explicar o que foi aprendido a outra pessoa pode ajudar a consolidar o conhecimento.
O sono também desempenha um papel crucial na consolidação da memória, e o ambiente de estudo deve ser propício, sem distrações. A especialista recomenda que os estudantes respeitem seu próprio ritmo e adaptem suas estratégias de estudo às suas necessidades individuais.
Compreender como o cérebro processa informações pode ajudar a melhorar a eficácia do aprendizado, permitindo que os estudantes alcancem melhores resultados sem precisar aumentar a carga de horas de estudo.


