A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada na última quarta-feira (25), revela um cenário alarmante sobre a realidade das adolescentes brasileiras, que representam metade da população escolar, cerca de 6,2 milhões de jovens. Os dados mostram que as meninas apresentam indicadores de saúde mental, percepção corporal e exposição à violência mais críticos do que os meninos.
De acordo com a pesquisa, 41% das meninas relataram ter se sentido tristes na maioria das vezes ou sempre nos 30 dias anteriores à pesquisa, um índice quase 2,5 vezes maior que o dos meninos (16,7%). Outros sentimentos negativos também foram destacados: 43,4% das meninas relataram ideação de autolesão, 33% afirmaram sentir desamparo e 25% expressaram desesperança em relação à vida.
Os dados ainda mostram que 61% das meninas relataram preocupação excessiva com o cotidiano, e 58,1% disseram sentir irritabilidade ou mau humor com frequência. Fatores sociais, culturais e estruturais, como violência de gênero e padrões estéticos inalcançáveis, são apontados como causas do impacto na saúde mental das adolescentes, segundo Gabriela Mora, do UNICEF no Brasil.
A pesquisa também revela que a satisfação com o próprio corpo é significativamente menor entre meninas, com 36,1% se declarando insatisfeitas ou muito insatisfeitas, o dobro do registrado entre meninos (18,2%). Além disso, 30,1% das meninas relataram ter sofrido bullying e 26% afirmaram ter sido vítimas de assédio sexual.
Outro ponto destacado pela PeNSE é a pobreza menstrual, com 15% das adolescentes afirmando ter faltado à escola ao menos um dia no último ano por falta de absorventes. Apesar das políticas públicas existentes, barreiras burocráticas e logísticas dificultam o acesso a esses produtos, especialmente para meninas em situação de vulnerabilidade.
Gabriela Mora defende que é urgente que as políticas públicas priorizem as meninas, garantindo direitos e proteção contra violências, além de promover oportunidades de participação social.


