A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada na última quarta-feira (25), revela um cenário alarmante sobre a realidade das adolescentes brasileiras. As meninas, que representam metade da população escolar, apresentam indicadores de saúde mental, percepção corporal e exposição à violência mais críticos do que os meninos.
De acordo com os dados, 41% das meninas relataram ter se sentido tristes na maioria das vezes ou sempre nos 30 dias anteriores à pesquisa, um índice quase 2,5 vezes maior que o dos meninos. Além disso, 43,4% das meninas relataram ter sentido vontade de se machucar de propósito nos últimos 12 meses.
Fatores sociais e culturais, como violência de gênero e padrões estéticos inalcançáveis, contribuem para o aumento da insatisfação corporal e dos comportamentos de autoagressão entre as adolescentes. Gabriela Mora, do UNICEF no Brasil, destaca que a escola deve ser um espaço de proteção e identificação precoce de situações de risco.
A pesquisa também revelou que 36,1% das meninas se declaram insatisfeitas ou muito insatisfeitas com a própria imagem, o dobro do registrado entre os meninos. Além disso, 15% das adolescentes relataram ter deixado de ir à escola ao menos um dia no último ano por falta de absorventes, evidenciando a pobreza menstrual.
Os dados mostram que as meninas são as principais vítimas de diferentes formas de violência, incluindo bullying e assédio sexual. A especialista defende que as políticas públicas devem priorizar as meninas, garantindo direitos e proteção contra violências, além de promover oportunidades de participação social.


