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A história indígena das máscaras do Brasil que rodam o mundo

As máscaras cara-grande, do povo indígena Apyãwa-Tapirapé, se tornaram populares em todo o mundo, sendo revendidas em leilões e plataformas de comércio eletrônico, com preços que variam de 600 a 17 mil dólares. Essas máscaras são consideradas fundamentais para a prática espiritual dos Tapirapé, utilizadas em rituais para contatar forças sobrenaturais.

Durante uma visita a Bonn, na Alemanha, os indígenas Nivaldo Paroo’i Tapirapé e Koxamare’i Tapirapé explicaram que as máscaras disponíveis no mercado são versões adaptadas das originais, que foram dessacralizadas e sofreram alterações estéticas significativas. Para eles, a comercialização dessas peças representa uma forma de engajamento com a cultura global, mas também levanta questões sobre a preservação de suas tradições.

A fabricação das máscaras se tornou uma estratégia de subsistência nas últimas décadas, mas a comercialização é proibida pela legislação brasileira desde 1967, uma vez que muitas dessas peças são feitas de materiais de origem animal. Apesar das proibições, a demanda por esses artefatos culturais continua, gerando discussões sobre a autodeterminação dos povos indígenas e a proteção de seu patrimônio cultural.

As máscaras cara-grande têm um significado profundo para os Apyãwa, e sua produção reflete um renascimento cultural. Os Apyãwa, que enfrentaram desafios significativos ao longo dos anos, como a pressão fundiária e a ocupação de seus territórios, utilizam essas máscaras em rituais anuais, acreditando que os espíritos residem nelas e, por isso, são destruídas após o uso.

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