A missão Artemis II da NASA, iniciada em 1º de abril de 2026, marca um marco histórico, pois quatro astronautas estão a caminho da Lua para um voo rasante que os levará a regiões inexploradas desde a década de 1970. Durante a missão, os astronautas passarão pela face oculta da Lua, que nunca é vista da Terra. O fenômeno ocorre devido à rotação sincronizada da Lua, que leva o mesmo tempo para girar em torno de si mesma e para orbitar a Terra, resultando na visibilidade constante de apenas uma de suas faces.
João Batista Garcia Canalle, astrônomo e coordenador da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica, explica que essa dinâmica é resultado de interações gravitacionais ao longo de milhões de anos, que estabilizaram a rotação da Lua. O lado oculto, ao contrário do que muitos pensam, não é ‘escuro’, mas sim recebe tanta luz solar quanto o lado visível. A diferença entre os lados se deve a processos geológicos distintos no início do Sistema Solar, que resultaram em superfícies variadas.
Durante a passagem da cápsula Orion, os astronautas enfrentarão um breve período sem comunicação com a Terra, pois a Lua bloqueará as ondas de rádio. Se bem-sucedida, esta será a primeira vez que humanos verão o lado oculto da Lua desde a missão Apollo 17, em 1972, permitindo a documentação de detalhes geológicos ainda não completamente compreendidos pelos satélites.


