O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta segunda-feira (20) o potencial dos biocombustíveis brasileiros e criticou as regras ambientais adotadas pela União Europeia durante sua visita à Alemanha. Lula destacou que o Brasil possui vantagens competitivas na produção de energia limpa e pode desempenhar um papel relevante na transição energética global, afirmando que a Europa precisa superar sua “resistência ideológica aos biocombustíveis”.
As declarações foram feitas na Feira Industrial de Hannover e no Encontro Econômico Brasil-Alemanha, onde Lula propôs uma comparação direta entre combustíveis brasileiros e europeus para medir as emissões de dióxido de carbono (CO₂). O presidente criticou propostas europeias que, segundo ele, desconsideram práticas sustentáveis adotadas no Brasil e dificultam a entrada de produtos brasileiros no mercado europeu.
Lula mencionou que a União Europeia está revisando seu regulamento sobre biocombustíveis e que as propostas em discussão ignoram práticas de sustentabilidade no uso do solo brasileiro. Ele também alertou sobre o mecanismo unilateral de cálculo de carbono que entrou em vigor em janeiro, que desconsidera o baixo nível de emissões do processo produtivo brasileiro baseado em fontes renováveis.
O presidente enfatizou que o Brasil possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, com cerca de 90% da eletricidade proveniente de fontes renováveis, e destacou o etanol e o biodiesel como diferenciais competitivos. Lula afirmou que o Brasil está disposto a se tornar um país desenvolvido e que não abrirá mão das oportunidades da transição energética.
Além disso, o presidente defendeu a ampliação das relações comerciais entre Brasil e Alemanha e pediu apoio para consolidar o acordo entre Mercosul e União Europeia. Ele destacou a importância do tratado para ampliar o comércio e gerar benefícios para trabalhadores e empresas, solicitando maior engajamento do setor privado para garantir sua implementação definitiva.


