O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quinta-feira (2) que alguns “atropelos” provocados por terceiros têm atrapalhado as negociações entre o Brasil e os Estados Unidos em torno do tarifaço anunciado pelo presidente Donald Trump. Durante uma entrevista no Rio de Janeiro, o ministro destacou que a determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é manter o governo sempre na mesa de negociação, deixando de lado questões ideológicas.
Elias Rosa comentou sobre uma conversa que teve nesta quinta com Jamieson Greer, representante do escritório comercial da Casa Branca, para tentar reverter o tarifaço. O prazo dado pela Casa Branca é 15 de julho, o que leva o governo brasileiro a “correr contra o tempo” em busca de um consenso.
“Sempre que avançamos, surge algum empecilho que precisamos superar. O presidente Lula esteve com o presidente Trump em várias ocasiões, e esses encontros foram positivos”, declarou o ministro.
Questionado sobre os “atropelos” mencionados, Elias Rosa citou a ordem executiva de julho do ano passado e declarações de ex-deputados que dificultam as negociações. O governo Lula atribui as ameaças tarifárias a articulações da família Bolsonaro, especialmente do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
O ministro ressaltou que comportamentos que poluem o diálogo entre os negociadores precisam ser enfrentados. Ele acredita que as questões ideológicas e eleitoreiras não devem fazer parte das negociações comerciais. “Estamos avançando, mas o tempo é um fator crítico”, concluiu.
Auxiliares do presidente Lula, sob reserva, indicam que não esperam uma reversão completa do tarifaço, mas tentarão esgotar as negociações. A avaliação é de que a decisão do USTR tem motivações políticas. Documentos do USTR, segundo o Itamaraty, mostram que os argumentos técnicos apresentados foram desconsiderados, reforçando a percepção de que a investigação é de caráter político.


