Representantes dos trabalhadores da Volkswagen bloquearam um amplo plano de reestruturação da empresa na Alemanha, segundo informações de duas fontes à Reuters nesta sexta-feira. O episódio destaca as dificuldades enfrentadas pelo presidente-executivo Oliver Blume para reformular a maior montadora da Europa.
Blume busca tornar o grupo mais eficiente em um momento em que a Volkswagen enfrenta a crescente concorrência chinesa, custos elevados devido a tarifas impostas pelos Estados Unidos e incertezas sobre a competitividade de suas fábricas na Alemanha.
A estrutura de governança da Volkswagen complica a tomada de decisões, já que representantes dos trabalhadores e o Estado da Baixa Saxônia controlam a maioria dos assentos no conselho de supervisão da empresa. Na reunião realizada na quinta-feira (9), o conselho rejeitou a proposta de reestruturação apresentada pela diretoria, com 12 votos contra 7, após a oposição dos representantes dos trabalhadores.
Fontes informaram que a proposta de Blume incluía o corte de até 100 mil postos de trabalho e o fechamento de quatro fábricas na Alemanha. Em meio à pressão, a Volkswagen anunciou uma queda de 8,6% nas entregas do segundo trimestre, a maior retração em quatro anos.
Após a reunião, a Volkswagen divulgou um comunicado, mas analistas afirmaram que o chamado ‘plano para o futuro’ apresenta poucas medidas concretas, evidenciando a dificuldade da diretoria em implementar mudanças mais profundas. O comunicado não mencionou cortes de empregos ou fechamento de fábricas, mas reiterou metas conhecidas para simplificar operações.
Analistas do Jefferies afirmaram que não há indícios de progresso rumo a um acordo, enquanto analistas da Bernstein consideraram o plano ‘repleto de ideias, mas muito pobre em medidas concretas’. Apesar disso, algumas propostas de simplificação foram vistas de forma positiva, incluindo a redução da capacidade global de produção de 10 milhões para 9 milhões de veículos por ano e a diminuição em até 50% do número de modelos oferecidos.
O IG Metall, maior sindicato industrial da Alemanha, organizou manifestações em unidades da Volkswagen em todo o país, exigindo uma estratégia clara para garantir a produção futura. O conselho de trabalhadores solicitou que a empresa esclarecesse seus planos de redução de custos até o final desta sexta-feira.
Embora o atual acordo trabalhista limite greves, os sindicatos ameaçaram intensificar os protestos caso a empresa tente rever compromissos relacionados à segurança no emprego. As tensões entre as partes refletem o reconhecimento mútuo dos desafios enfrentados pela Volkswagen, cujas margens de lucro caíram pela metade nos últimos cinco anos devido à fraqueza do mercado chinês, custos de eletrificação e tarifas comerciais.
O chanceler alemão Friedrich Merz prometeu implementar reformas para aumentar a competitividade do país em meio às dificuldades enfrentadas por setores-chave da indústria. Olaf Lies, primeiro-ministro do Estado da Baixa Saxônia, afirmou que todos estão cientes de que a Volkswagen e a indústria automobilística enfrentam um momento crítico em um ambiente de competição internacional cada vez mais desafiador.
Fontes indicaram que a Baixa Saxônia, onde está a sede da Volkswagen em Wolfsburg, tentou intermediar um compromisso durante as discussões do conselho de supervisão, considerando até mesmo apresentar uma proposta própria, mas essa ideia foi abandonada. O governo da Baixa Saxônia não comentou o assunto.


