Uma pesquisa realizada pelo Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis) em parceria com a Quaest revela que, embora 91% dos brasileiros defendam o diálogo como a melhor forma de educar crianças, práticas violentas ainda são comuns. O estudo, intitulado “Atitudes e percepções sobre a infância e violência contra crianças e adolescentes”, entrevistou 2.202 pessoas em 128 municípios entre 29 de maio e 7 de junho de 2026.
Os dados mostram que 62% dos entrevistados admitiram já ter gritado com uma criança, 49% reconheceram ter dado tapas e 27% afirmaram ter utilizado objetos para bater. Além disso, 62% dos participantes disseram que não reagiriam ao presenciar uma criança sendo agredida em público, evidenciando uma tolerância social à violência.
Embora 91% considerem o diálogo essencial, 74% acreditam que a violência contra crianças e adolescentes aumentou nos últimos anos. O estudo também destaca uma discrepância entre as práticas educativas adotadas pelos entrevistados e suas percepções sobre o que é aceitável.
Os resultados da pesquisa mostram que, mesmo com um apoio significativo ao diálogo, 47% dos entrevistados consideram o castigo por restrição de lazer aceitável, e 37% aceitam gritar com crianças. A diretora executiva do Infinis, Márcia Kalvon, comentou que a pesquisa revela uma lacuna entre a conscientização sobre os direitos das crianças e as práticas cotidianas.
Comparando com dados de 2023, houve uma leve redução nas práticas violentas, mas a violência ainda é amplamente naturalizada. A pesquisa também abordou a aceitação do trabalho infantil, revelando que 61% consideram aceitável que crianças trabalhem para evitar ficar nas ruas.


