O Brasil registrou um aumento significativo no número de pedidos de autoexclusão de plataformas de apostas online, conhecidas como “bets”, durante a Copa do Mundo. Dados da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda revelam um crescimento de 588% na média diária de solicitações nas duas primeiras semanas do torneio, em comparação com um período equivalente em maio.
Entre 15 e 28 de junho, a Plataforma Centralizada de Autoexclusão recebeu 250.129 pedidos, resultando em uma média de 17.866 solicitações por dia. Em contraste, de 11 a 25 de maio, foram registrados apenas 38.907 pedidos. Este aumento é atribuído a uma combinação de maior exposição às apostas, divulgação da plataforma de autoexclusão e aumento da conscientização sobre os riscos do jogo.
Representantes do setor de apostas destacam que o crescimento dos pedidos deve ser analisado com cautela, pois não necessariamente indica um aumento nos casos de jogo compulsivo. A autoexclusão, que permite que cidadãos bloqueiem o uso de seus CPFs em todas as plataformas autorizadas, foi lançada em dezembro de 2025.
O aumento nos pedidos também reflete uma mudança nos motivos alegados para a autoexclusão. Antes da Copa, a principal razão era a perda de controle sobre o jogo, enquanto durante o torneio, muitos usuários alegaram preocupação com o uso irregular de seus dados pessoais. A maioria dos pedidos foi feita sem prazo para término, indicando uma busca por proteção.
Entidades que monitoram o impacto das apostas observam que o crescimento nos pedidos pode ser um sinal de que usuários estão se precavendo contra a compulsão. As autoridades também estão atentas à situação, já que a Copa do Mundo trouxe um aumento na publicidade de apostas, o que pode ter impactado os hábitos dos apostadores.


