O sistema alimentar mundial enfrenta crescente pressão, com novas pesquisas revelando áreas específicas onde isso pode resultar em conflitos. Secas severas e eventos climáticos extremos estão prejudicando as colheitas em várias regiões. Um fenômeno El Niño em desenvolvimento ameaça agravar a escassez de alimentos para milhões de pessoas no próximo ano.
Enquanto isso, guerras e tensões geopolíticas interrompem as cadeias de suprimentos que são essenciais para a distribuição de alimentos e insumos agrícolas. A guerra na Ucrânia, por exemplo, tem causado instabilidade nos mercados de grãos, e os conflitos no Irã têm elevado os preços de combustíveis e fertilizantes, aumentando os custos para agricultores globalmente.
Especialistas alertam que o aumento da insegurança alimentar pode instigar instabilidade. Quando as pessoas não conseguem alimentar suas famílias, podem entrar em disputa por recursos como terra e água ou migrar para outras regiões. Em países vulneráveis, essas pressões podem resultar em agitações sociais e até conflitos armados.
Uma pesquisa recente, o Índice de Declínio Agrícola Impulsionado pelo Clima (Cadi), desenvolvido por especialistas do Instituto de Análise Econômica e da Escola de Economia de Barcelona, mapeia como as mudanças climáticas estão afetando a produtividade agrícola em todo o mundo. As regiões tropicais estão entre as mais afetadas, com perdas agrícolas significativas já observadas em países como Camboja, Bangladesh, Burundi, Nigéria, Paraguai e El Salvador.
Além das mudanças climáticas, guerras e interrupções comerciais ampliam a insegurança alimentar. Nos próximos 25 anos, quase metade da população mundial pode viver em áreas onde a produção agrícola está em declínio.
Essas pressões podem desestabilizar governos, provocar migrações e facilitar o recrutamento de combatentes por grupos armados. A pesquisa do Cadi sugere que ganhos na produtividade agrícola também podem aumentar o risco de violência, pois a mudança na produtividade pode gerar novos vencedores e perdedores, elevando tensões internas.
O Sul da Ásia e o Sahel são regiões que demandam atenção especial, pois a vulnerabilidade climática e o crescimento populacional podem resultar em crises humanitárias. A adaptação às mudanças climáticas não deve se limitar apenas a novas tecnologias agrícolas, mas também à gestão da distribuição de recursos e acesso à terra e água, para evitar que a pressão sobre os sistemas alimentares se converta em conflitos.


