Os candidatos à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apresentaram suas propostas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições de 2026. No entanto, durante a campanha, questões cruciais como saúde, educação, clima e população em situação de rua não receberam a devida atenção nas discussões.
Um debate presidencial realizado pela TV Globo no dia 23 de outubro de 2026 trouxe à tona alguns desses temas, mas muitos deles ainda ficaram em segundo plano. Especialistas apontaram a falta de foco em áreas como o financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS), a defasagem no ensino de matemática e os impactos da crise climática.
O SUS, considerado um direito fundamental pela Constituição Federal, enfrenta desafios significativos, especialmente com o envelhecimento da população. Em 2026, o governo federal destina R$ 254,93 bilhões para a saúde, mas a necessidade de mais recursos é evidente. Rudi Rocha, professor da FGV, destaca que o envelhecimento exige uma coordenação mais eficiente dos serviços de saúde, alertando que ‘saúde é caro, e será cada vez mais caro’.
No campo educacional, a matemática apresenta um quadro preocupante. Um estudo do Todos pela Educação revelou que, enquanto a aprendizagem em língua portuguesa melhorou, a situação em matemática se estagnou. Priscila Cruz, presidente-executiva da organização, enfatiza que a formação docente inadequada e a falta de foco no ensino de matemática desde os primeiros anos escolares estão entre as causas desse problema.
A crise climática também não foi suficientemente abordada nas campanhas. O fenômeno El Niño, que pode se estender até março de 2027, está previsto para causar alterações significativas nas condições climáticas do Brasil, aumentando a probabilidade de secas e enchentes em várias regiões. O climatologista Carlos Nobre ressalta a urgência de políticas públicas para proteger a população contra os efeitos extremos das mudanças climáticas.
Por fim, a população em situação de rua, que ultrapassa 390 mil pessoas no Brasil, também não teve suas necessidades adequadamente discutidas. O Ipea aponta a complexidade do fenômeno e a falta de políticas públicas eficazes. O primeiro Censo Nacional da População em Situação de Rua, previsto para ser concluído em 2028, busca trazer mais clareza sobre essa questão.


