As máscaras cara-grande, do povo indígena Apyãwa-Tapirapé, têm se espalhado pelo mundo, sendo revendidas em leilões e plataformas de comércio eletrônico com preços que variam de 600 a 17 mil dólares. Essas máscaras são usadas em rituais e, após os eventos, são destruídas, mas versões adaptadas têm sido comercializadas, levantando questões sobre a apropriação cultural e a proteção do patrimônio indígena.
De acordo com a antropóloga Ana Coutinho, a manufatura dessas máscaras se tornou uma estratégia de subsistência após a demanda comercial aumentar na região do Rio Araguaia. No entanto, a legislação brasileira proíbe a comercialização de peças que envolvam a destruição de animais silvestres. As máscaras estão na Lista Vermelha de Objetos Culturais Brasileiros em Risco, destacando sua vulnerabilidade ao tráfico ilícito.
A comunidade Apyãwa busca equilibrar a proteção de seu patrimônio cultural com a necessidade de subsistência, criando versões das máscaras que não são usadas em rituais. Essas novas peças, feitas com materiais alternativos, preservam algumas tradições, mas também refletem mudanças estéticas significativas.
Recentemente, representantes da comunidade Apyãwa participaram de uma exposição na Alemanha, onde enfatizaram a importância das máscaras como símbolos de resistência cultural e de conexão com suas tradições. A viagem teve como objetivo mostrar que as máscaras são mais do que arte; elas representam conhecimentos e práticas ancestrais que ainda são relevantes para o povo Apyãwa.


