As máscaras cara-grande, do povo indígena Apyãwa-Tapirapé, têm ganhado notoriedade internacional, sendo revendidas em leilões e plataformas online com preços que variam de 600 a 17 mil dólares. Essas peças, que desempenham um papel crucial em rituais espirituais, foram adaptadas para atender à demanda do mercado, levando a alterações estéticas significativas.
De acordo com a antropóloga Ana Coutinho, a fabricação dessas máscaras começou a se intensificar na década de 1960, quando viajantes e comerciantes mostraram interesse por objetos que consideravam raros. No entanto, os Apyãwa enfatizam que as peças atualmente comercializadas são versões modificadas das máscaras usadas em rituais, que são destruídas após o uso, pois acreditam que os espíritos residem nelas.
A legislação brasileira proíbe a comercialização de objetos feitos com matérias-primas de animais silvestres, o que inclui as máscaras tradicionais. Entretanto, a prática de manufatura familiar surgiu como uma forma de engajamento com o mercado, embora tenha gerado conflitos dentro da comunidade.
Os Apyãwa têm buscado preservar suas tradições enquanto se adaptam às exigências do comércio. As máscaras à venda são frequentemente feitas de materiais alternativos, como madeira e ossos de vaca, e apresentam cores e dimensões diferentes das originais. Essa adaptação é vista como uma estratégia de sobrevivência cultural e resistência.
Recentemente, representantes da comunidade participaram de uma exposição na Alemanha, buscando sensibilizar o público sobre a importância cultural das máscaras e a necessidade de respeitar suas origens. A viagem também destacou a luta contínua dos Apyãwa contra a pressão fundiária e as ameaças à sua cultura e território.


