A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou um reajuste máximo de 5,11% para planos de saúde individuais e familiares. O percentual, anunciado nesta sexta-feira (29), é considerado abaixo do esperado pelo setor.
Este é o menor reajuste definido desde 2000, exceto em 2021, quando houve uma redução devido à diminuição no uso de serviços de saúde durante a pandemia de Covid-19. O novo índice afetará cerca de 7,7 milhões de beneficiários, representando 14,5% dos 52,9 milhões de usuários de planos de assistência médica no Brasil.
A ANS esclareceu que o reajuste deve ser aplicado no mês de aniversário do contrato. Para planos com aniversário em maio e junho, a cobrança poderá começar em julho ou agosto, com retroatividade ao mês de renovação.
Em comparação, o IPCA acumulado em 12 meses até abril foi de 4,39%, enquanto o IPCA-15 até maio registrou alta de 4,64%.
Analistas do Citi afirmaram que, embora o mercado já esperasse um reajuste menor, o resultado não é um bom sinal para enfrentar as pressões de custos do setor, que incluem despesas judiciais elevadas. A expectativa inicial do banco era de um aumento de 7,8%.
Os analistas do UBS BB destacaram que o percentual reforça a desaceleração dos reajustes após a pandemia, mas a magnitude da surpresa negativa é desfavorável para as expectativas de crescimento de receita no segmento regulado. A Hapvida, que possui mais de 20% de suas receitas vinculadas a contratos individuais, pode ser a mais afetada, enquanto SulAmérica e Bradsaúde devem enfrentar impactos limitados.
No mercado financeiro, as ações da Hapvida caíram 3,77%, enquanto os papéis da Rede D’Or e da Bradsaúde recuaram 2,2% e 2,56%, respectivamente.
Os analistas do UBS BB alertaram que a decisão da ANS indica um crescimento desacelerado dos reajustes em meio a custos médicos estruturalmente elevados, o que aumenta o risco de compressão de margens na indústria.


