A relação entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) ganhou novos contornos nesta semana, após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantar o sigilo das principais investigações sobre o caso.
Nos documentos, a Polícia Federal (PF) apresenta novos elementos que sustentam a linha de investigação segundo a qual grande parte dos créditos comprados pelo BRB do Banco Master estaria ligada a operações irregulares. Os investigadores também apontam que as negociações continuaram mesmo diante de sinais de fraudes e inconsistências nas carteiras.
O laudo aponta que o BRB pagava por carteiras de crédito antes mesmo da conclusão das análises técnicas obrigatórias que deveriam avaliar a qualidade desses ativos. Segundo os peritos, a diretoria do banco continuou aprovando novas operações mesmo após alertas internos sobre problemas de documentação, liquidez e inconsistências identificadas nas carteiras negociadas.
Quando o BRB começou a ampliar a compra de carteiras de crédito do Banco Master, já existiam sinais de alerta sobre a situação da instituição. As primeiras advertências indicavam que o crescimento acelerado, a estrutura financeira e o modelo de negócios do Master deveriam ser examinados com atenção.
A Fitch Ratings, em outubro de 2023, melhorou a nota atribuída ao Banco Master, mas destacou a volatilidade dos resultados e a exposição a ativos de baixa liquidez. Apesar disso, as compras de carteiras do Master pelo BRB começaram a ganhar escala em 17 de julho de 2024, quando a diretoria autorizou a aquisição de até R$ 750 milhões.
Além dos riscos já identificados, a PF apontou que o BRB liberou dinheiro para comprar carteiras de crédito antes que suas áreas técnicas terminassem de examiná-las. Em 22 das 84 compras analisadas, no valor total de R$ 7,63 bilhões, as avaliações técnicas foram concluídas somente após os pagamentos.
Os peritos também identificaram que o BRB dividiu as compras de carteiras do Banco Master em operações menores para permanecer dentro do limite de decisão da diretoria, evitando assim a análise do conselho de administração.
Em fevereiro de 2025, um grupo de trabalho foi criado pelo BRB para verificar as carteiras de crédito compradas do Banco Master. Relatórios internos apontaram fragilidades relacionadas a lastro, documentação e repasses financeiros, mas as aquisições continuaram sendo aprovadas mesmo após alertas sobre a situação financeira do BRB.
Para a PF, os episódios descritos no laudo não representam falhas isoladas, mas um padrão de gestão fraudulenta caracterizado por pagamentos feitos antes da conclusão das análises técnicas e a continuidade das operações apesar de alertas financeiros.


