Na última semana, representantes de montadoras e fabricantes de autopeças do Brasil e da Argentina assinaram um acordo para fortalecer o setor automotivo da região, em resposta ao aumento da concorrência de veículos chineses. O termo, denominado ‘Declaração de Buenos Aires’, foi firmado durante o evento Automechanika, realizado na capital argentina.
A declaração estabelece uma agenda integrada com foco em competitividade, atração de investimentos e fortalecimento da integração produtiva, visando responder às transformações tecnológicas do setor e ao aumento da competição global.
Organizações como Anfavea e Sindipeças, pelo lado brasileiro, e Adefa e Afac, pelo lado argentino, participaram da assinatura do acordo. As expectativas são de que as novas regras sejam definidas antes de 2029, criando um ambiente favorável para investimentos.
O setor automotivo representa cerca de 20% do PIB industrial brasileiro e 8,4% do argentino, empregando mais de 1,9 milhão de pessoas entre os dois países. Entre os principais pontos do acordo estão a especialização produtiva e a complementação industrial, com o objetivo de ampliar o intercâmbio comercial e fortalecer as cadeias de valor regionais.
O documento também prevê a coordenação de políticas para o desenvolvimento de tecnologias automotivas regionais, incluindo a produção de sistemas de autopeças mais complexos, como motores híbridos e elétricos. Além disso, destaca a necessidade de simplificar processos aduaneiros nas fronteiras para reduzir custos e aumentar a eficiência logística.
A assinatura deste acordo ocorre em um momento crítico, já que os mercados brasileiro e argentino estão enfrentando a crescente presença de marcas chinesas, o que gera preocupações no setor. Em 2025, tensões surgiram no Brasil quando montadoras pressionaram o governo para impedir a concessão de impostos sobre a importação de veículos semi-prontos. Recentemente, o presidente da Nissan para as Américas também defendeu a taxação de carros chineses, enfatizando a necessidade de medidas para proteger a indústria local.


