A nova tarifa dos Estados Unidos contra parte das exportações do Brasil, que entra em vigor nesta quarta-feira (22/07), é uma ação estratégica do governo de Donald Trump. Essa medida visa contornar uma proibição imposta pela Suprema Corte americana e reconstruir tarifas abrangentes implementadas no início de seu segundo mandato.
Especialistas consultados pela BBC News Brasil afirmam que a taxação aplicada aos produtos brasileiros pode ser o início de uma série de novas medidas protecionistas, baseadas em investigações sobre práticas comerciais consideradas injustas. Oliver Stuenkel, pesquisador da Universidade Harvard, destaca que o governo Trump está adotando um plano B para fortalecer sua base jurídica.
Trump, que já defendia uma agenda econômica conservadora antes de assumir a Casa Branca novamente, anunciou tarifas recíprocas, que são centrais em sua estratégia tarifária. A nova tarifa de 25% foi justificada por práticas como favorecimento ao sistema de pagamentos Pix e questões relacionadas ao etanol e ao desmatamento.
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) está atualmente conduzindo investigações que podem resultar em tarifas adicionais sobre outros países, incluindo a China e a União Europeia, por práticas comerciais desleais. A nova tarifa sobre o Brasil é a primeira ação concreta dessa estratégia, que inclui uma investigação de 12 meses sobre as práticas comerciais brasileiras.
As tarifas visam garantir que trabalhadores e empresas americanas possam competir em condições justas. No entanto, a lista de produtos isentos da nova tarifa é extensa, incluindo itens de grande importância nas exportações brasileiras, o que revela os limites do protecionismo americano.


