A Tesla não vende carros no Brasil, mas é possível encontrar modelos da marca, como a picape Cybertruck, circulando pelo país. Recentemente, um desses veículos se envolveu em um acidente em São Paulo.
A presença desses veículos se deve à importação independente, que permite que pessoas e empresas tragam carros ao Brasil sem a necessidade de depender das fabricantes. Entretanto, é fundamental estar ciente das condições e exigências legais.
O programa Mover estabelece as diretrizes para a importação de automóveis no Brasil. Tanto pessoas físicas quanto jurídicas podem realizar essa operação, desde que o veículo seja destinado ao uso próprio. Existem empresas especializadas que oferecem consultoria para facilitar esse processo, que pode ser bastante burocrático e custoso.
Após a escolha do veículo, é necessário verificar se ele se enquadra no critério de “novo”, o que significa que não pode ter uma quilometragem excessiva. Embora a legislação não defina um limite específico, a prática aceita cerca de 300 km como o valor máximo para a alfândega.
Além disso, é necessário apresentar documentos que comprovem a compatibilidade da renda do CPF com a compra do veículo. O Ibama também deve ser consultado para a emissão da Licença de Importação; veículos que não atendem às normas de emissões e ruído podem ser barrados nessa etapa.
O processo de importação não termina com a licença do Ibama. O Denatran também deve emitir o Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito (CAT), que atesta que o veículo está em conformidade com as normas brasileiras. Segundo Natel Valério, diretor comercial da Direct Imports, até o momento, não houve problemas de homologação para carros zero quilômetro.
Após a regularização da documentação, o veículo deve ser registrado e emplacado no Detran, assim como qualquer outro carro. A importação independente também envolve diversas taxas, que podem elevar o custo final do veículo. Para um carro avaliado em US$ 100 mil, as taxas de aduana e transporte podem variar entre R$ 80 mil e R$ 120 mil.
O preço total do veículo pode quase dobrar após a inclusão do Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), ICMS e outras taxas. Por exemplo, uma Tesla Cybertruck foi vendida em outubro de 2025 por cerca de R$ 900 mil, enquanto nos EUA, o modelo topo de linha custa aproximadamente US$ 115 mil (cerca de R$ 600 mil).
Além da questão financeira, a manutenção de um veículo importado pode ser complicada. Modelos trazidos de forma independente não estão necessariamente cobertos pelas garantias oferecidas pelas montadoras no Brasil. Isso significa que, se um proprietário importar um modelo, como um Mustang, a Ford não é obrigada a fornecer suporte ou peças, ao contrário do que faria com um modelo vendido oficialmente no país.
Os proprietários de veículos importados frequentemente precisam buscar oficinas especializadas e podem ter que importar peças para manutenção. A entrega dessas peças pode levar até 30 dias. Além disso, é importante considerar que esses carros não são projetados para operar com o combustível brasileiro, que contém cerca de 30% de etanol, o que pode afetar a durabilidade de componentes de alta tecnologia.
Por fim, muitos clientes optam pela importação independente para ter um veículo exclusivo, mesmo que os custos e prazos não sejam vantajosos para modelos mais acessíveis. Marcas de luxo, como Cadillac, Tesla e Hummer, são as mais procuradas nesse segmento.


