A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que senadores “pensam que são Deus” complicou a relação do governo com o Senado Federal, especialmente em um momento que antecede a sabatina de Jorge Messias, indicado por Lula para o Supremo Tribunal Federal (STF). Durante uma entrevista nesta quarta-feira (1º), Lula enfatizou a importância de uma base de sustentação no Senado para a governabilidade.
Messias, atual advogado-geral da União, precisa ser sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, onde requer uma maioria simples para ser aprovado. A situação já era delicada, uma vez que a indicação foi feita sem o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que preferia o nome de Rodrigo Pacheco (PSB-MG).
Após a declaração de Lula, a oposição criticou a postura do governo, afirmando que isso pode dificultar a articulação necessária para a aprovação de Messias. Apesar do clima desfavorável, senadores da base governista acreditam que Messias ainda possui votos suficientes para ser aprovado, embora a declaração de Lula possa ser vista como uma provocação a Alcolumbre.
Os senadores de partidos de Centro consideram que o ambiente para a aprovação de Messias está mais favorável do que no passado, citando reuniões entre Lula e líderes do MDB que discutiram a indicação. O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), afirmou que dará celeridade à sabatina assim que o caso for despachado para a comissão.


