A delegada Ana Paula Lamego Balbino Nogueira, esposa de Renê Júnior, o homem acusado de matar o gari Laudemir Fernandes, tinha conhecimento de que o marido utilizava a arma dela. A informação foi divulgada durante uma coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (29) no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), em Belo Horizonte.
O crime ocorreu no dia 11 de agosto, no bairro Vista Alegre, na Região Oeste da capital mineira, após Renê Júnior se irritar no trânsito. De acordo com a investigação, ele ficou alterado devido a um caminhão de coleta de lixo que obstruía a rua e ameaçou a motorista do veículo. Quando os garis tentaram intervir, Renê desceu do carro armado e disparou, atingindo Laudemir, que não sobreviveu aos ferimentos.
A arma utilizada no crime pertence à delegada, que está sendo investigada pela Subcorregedoria da Polícia Civil por possível negligência na guarda do armamento. Ana Paula foi afastada de suas funções por 60 dias para tratamento de saúde.
Renê foi preso em flagrante no mesmo dia do crime, em uma academia no bairro Estoril. Inicialmente, ele negou a autoria, mas posteriormente confessou em depoimento à Polícia Civil, alegando que o incidente foi um “acidente” e um “mal-entendido”. A filha de Laudemir, de 15 anos, entrou com uma ação judicial solicitando R$ 500 mil por danos morais, pensão alimentícia e custeio de tratamento psicológico, além do bloqueio de até R$ 3 milhões em bens do empresário e da delegada.