A Noruega, que se destaca como um dos países mais avançados na adoção de energia limpa, continua a depender do petróleo e do gás como fontes significativas de riqueza. Essa dualidade é parte da estratégia norueguesa, que busca avançar para uma economia de baixo carbono sem abrir mão de um dos principais motores econômicos do país.
Reconhecida internacionalmente por seus avanços em energia limpa, a Noruega está entre os maiores produtores de petróleo do mundo e ocupa uma posição estratégica no mercado internacional de gás natural. De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), a Noruega é atualmente o maior fornecedor de gás natural da União Europeia, respondendo por cerca de 31% das importações do bloco em 2025.
Recentemente, a Noruega e a União Europeia firmaram uma Aliança Verde, visando ampliar a cooperação em energia limpa, transição industrial e proteção ambiental. O governo norueguês defende que a produção de petróleo e gás não é incompatível com os objetivos climáticos do país, argumentando que a substituição de usinas movidas a carvão por usinas a gás pode reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) observa que, embora as receitas provenientes de recursos naturais possam impulsionar o desenvolvimento econômico, também podem criar desafios para a gestão das contas públicas. A Noruega, no entanto, tem demonstrado um planejamento robusto para administrar essa riqueza ao longo das últimas décadas.
Uma das principais ferramentas para essa gestão é o Government Pension Fund Global (GPFG), que transforma a renda gerada pelo petróleo e gás em ativos financeiros para as futuras gerações. Em 2025, o fundo administrava cerca de 21,3 trilhões de coroas norueguesas, o que representa aproximadamente R$ 11,2 trilhões.
A transição para uma economia de baixo carbono também é facilitada pela matriz elétrica do país, que é composta em 89% por hidrelétricas. Isso permitiu a eletrificação de residências, indústrias e, mais recentemente, do setor de transportes. A Noruega lidera a adoção de veículos elétricos, com o governo estabelecendo metas para que todas as vendas de carros novos sejam de modelos sem emissões.
Além disso, a legislação norueguesa inclui metas obrigatórias para a redução das emissões de gases de efeito estufa e incentivos para a criação de zonas de emissão zero. A própria indústria petrolífera está incorporando iniciativas para reduzir suas emissões, como o projeto Hywind Tampen, que fornece eletricidade renovável às plataformas de petróleo e gás no Mar do Norte.


