Casos de bullying, ameaças e ofensas motivadas por divergências políticas foram registrados em escolas e universidades do Brasil após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Ministério da Educação (MEC) informou que solicitou à Polícia Federal (PF) a investigação das ameaças direcionadas a universidades federais, estudantes e professores.
As denúncias envolvem estudantes da rede pública e privada em diversas regiões do país. No Rio de Janeiro, crianças que participaram de uma manifestação tiveram suas fotografias divulgadas em páginas de extrema direita, com algumas imagens manipuladas para ridicularizar os alunos. Especialistas alertam que a liberdade de expressão não pode justificar ameaças ou discriminação.
Uma manifestação estudantil em 7 de outubro, logo após o primeiro turno das eleições, resultou em comentários ofensivos nas redes sociais. Estudantes do Colégio Pedro II foram alvo de ataques, com fotos manipuladas e comentários depreciativos. Pais registraram boletins de ocorrência e denunciaram as publicações às plataformas sociais, que não retiraram os conteúdos do ar.
Após o segundo turno das eleições, novas hostilidades foram relatadas em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, onde estudantes foram alvo de ofensas e ameaças. O MEC, em nota, repudiou qualquer tipo de ameaça ou discriminação no ambiente acadêmico e está atento a novas denúncias.
O juiz Sérgio Luiz Ribeiro, da 4ª Vara da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro, destacou que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garante a proteção da integridade física e moral de crianças e adolescentes, incluindo o direito à imagem. A utilização pejorativa da imagem de uma criança pode configurar crime, dependendo do conteúdo divulgado.


