Uma pesquisa realizada por pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) revelou que 18,86% dos universitários entrevistados apresentaram ideação suicida, o que representa quase um em cada cinco estudantes. Os resultados foram publicados no periódico The Lancet Regional Health – Americas.
O estudo buscou investigar fatores psicossociais associados à ideação suicida, indo além da tradicional abordagem centrada apenas na depressão. A pesquisa contou com a participação de 3.828 pessoas, predominantemente mulheres (67,63%) e indivíduos brancos (66,74%), com idades entre 18 e 39 anos.
Os pesquisadores utilizaram ferramentas de aprendizado de máquina para analisar os dados, que incluíram medidas de depressão, solidão, otimismo e experiências adversas na infância. A ideação suicida foi avaliada por meio de uma pergunta direta sobre pensamentos de morte ou autolesão nas últimas duas semanas.
Os resultados indicaram que, além dos sintomas depressivos, fatores como otimismo e solidão também influenciam a ideação suicida. O otimismo se destacou como um fator de proteção, sugerindo que uma perspectiva positiva sobre o futuro pode reduzir a probabilidade de pensamentos suicidas.
A pesquisa também destacou a importância de experiências adversas na infância, que contribuíram significativamente para a ideação suicida, reforçando a necessidade de uma abordagem abrangente para a saúde mental nas universidades. Os achados sugerem que intervenções que promovam otimismo e conexões sociais podem ser eficazes na prevenção.
Os pesquisadores ressaltam a urgência de uma atenção mais cuidadosa à saúde mental no ambiente acadêmico, considerando que o sofrimento psíquico é um fenômeno complexo que requer múltiplas abordagens para sua compreensão e tratamento.


