A recente desconfiança dos investidores em relação aos gastos com inteligência artificial (IA) resultou em uma semana complicada para o setor de tecnologia na bolsa de valores dos EUA. Amazon, Google, Meta e Microsoft anunciaram planos de investir coletivamente US$ 660 bilhões na expansão da IA em 2026, um aumento de 60% em relação ao ano anterior. No entanto, as ações da Amazon caíram após a divulgação de sua intenção de investir US$ 200 bilhões em IA ao longo do ano.
A Alphabet, controladora do Google, também contribuiu para a queda ao fazer um anúncio semelhante, levando o índice Nasdaq a fechar em seu nível mais baixo em mais de dois meses. Apesar do pessimismo, ações de empresas como Nvidia e AMD, fabricantes de chips para IA, apresentaram recuperação.
O CEO da Nvidia, Jensen Huang, descreveu a noção de que a IA substituirá ferramentas de software tradicionais como ‘ilógica’, enfatizando que essas tecnologias são projetadas para serem utilizadas em conjunto. Sundar Pichai, do Google, também expressou otimismo sobre a capacidade da IA de impulsionar empresas de software.
Analistas apontam que, após um período de entusiasmo, é comum haver um discernimento em relação a novas inovações tecnológicas. Kristina Hooper, estrategista-chefe da Man Group, destacou que o mercado pode estar passando por esse processo com a IA.
Enquanto isso, a Microsoft enfrentou uma perda significativa de US$ 400 bilhões em valor de mercado em um único dia, após a divulgação de resultados financeiros que, apesar de mostrar um aumento na receita com serviços em nuvem, revelaram uma diminuição na margem de lucro devido aos investimentos em IA.
As preocupações sobre o impacto da IA em negócios tradicionais aumentaram com o lançamento de novos softwares pela Anthropic, que visam automatizar tarefas específicas. Matthew Miskin, coestrategista-chefe da Manulife John Hancock, observou que a aceleração no setor tecnológico pode resultar em desaceleração para outros negócios.
Os líderes da indústria tentam tranquilizar o mercado, afirmando que a IA será uma ferramenta complementar, e não um substituto, para as práticas comerciais existentes.


