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Guerra no Oriente Médio pressiona dólar, petróleo e pode limitar intensidade e duração dos cortes na taxa de juros no Brasil; entenda

A escalada de tensões e a eclosão da guerra no Oriente Médio, com os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã e a propagação do conflito a países vizinhos, como o Líbano, estão pressionando o preço do petróleo e a cotação do dólar no Brasil.

No início desta semana, o preço do petróleo ultrapassou US$ 82 por barril, o maior valor desde janeiro de 2025. A situação se agrava com o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, levando analistas a projetar um aumento substancial nos preços nos próximos meses, o que pode impactar diretamente os preços dos combustíveis no Brasil.

Além disso, a cotação do dólar também teve alta, avançando 0,6% nesta segunda-feira (2), alcançando R$ 5,16. Com a elevação do dólar e do petróleo, a expectativa é de que os preços de combustíveis e energia aumentem, afetando setores como transporte, indústria e agronegócio, limitando o crescimento da atividade econômica.

Economistas alertam que essa “mudança de preços relativos” pode influenciar não apenas os preços atuais, mas também as projeções de inflação para o futuro. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, responsável por estabelecer as metas de inflação, observa que as decisões de juros têm um impacto que pode levar de seis a 18 meses para se manifestar na economia.

Se a guerra se prolongar, o impacto inflacionário pode ser duradouro, dificultando cortes nas taxas de juros. O Copom, que reage ao cenário econômico, pode ser forçado a ajustar suas expectativas. Até a semana passada, o mercado projetava uma redução na taxa Selic, de 15% para 14,5% ao ano, mas a escalada de tensões pode alterar esse panorama.

Analistas, como Rafaela Vitoria, do banco Inter, afirmam que o aumento do preço do petróleo não requer um ajuste imediato nos combustíveis, mas a continuidade da alta pode levar a um reajuste. A economia, atualmente, enfrenta uma demanda mais fraca, o que pode limitar o impacto de um eventual aumento nos preços dos combustíveis sobre a taxa de juros.

Leonardo Costa, economista do ASA, ressalta que o impacto da guerra nos preços da energia dependerá da duração do conflito. Um aumento de 10% na gasolina pode adicionar cerca de 0,20% a 0,25% ao IPCA anual, enquanto o diesel impacta indiretamente a cadeia produtiva.

Fabiano Zimmermann, do ASA, acredita que o conflito não deve alterar os planos do Banco Central a curto prazo, mas se a crise se intensificar, pode afetar a valorização do real e limitar os cortes de juros. A situação já reflete na curva de juros, com aumento do prêmio na parte intermediária.

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