Atualmente, mais de mil crianças e adolescentes com deficiência estão disponíveis para adoção no Brasil, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça. O número total de crianças e jovens com até 16 anos nessa situação chega a 1.146, enquanto há mais de 32 mil pretendentes ativos no Cadastro Nacional de Adoção.
Diego, um adolescente de 15 anos que vive em um abrigo em São Paulo, é um dos muitos que aguardam uma família. Diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), ele foi inserido no Cadastro Nacional de Adoção, mas até o momento não recebeu propostas. Dirce, coordenadora da instituição onde Diego reside, destaca a importância do cuidado individual que uma família pode proporcionar, algo que muitas vezes não é possível em um abrigo.
Em 2025, apenas 173 adoções de pessoas com deficiência foram registradas no Brasil, um número considerado baixo. A juíza Mônica Gonzaga Arnoni explica que a escolha restrita dos adotantes é um fator que contribui para a permanência dessas crianças em instituições até a maioridade.
Organizações como a Casa Lar Dona Meca, no Rio de Janeiro, acolhem exclusivamente crianças e jovens com deficiência, mas enfrentam dificuldades para promover adoções. A coordenadora Jéssica Souza menciona que, apesar de alguns casos de adoção, o número é muito pequeno em comparação com a demanda.
A falta de apoio e informação sobre as necessidades dessas crianças é um dos principais fatores que afastam os potenciais adotantes. Especialistas enfatizam a necessidade de políticas públicas que ofereçam suporte às famílias, para que possam acolher crianças com deficiência de forma adequada.
A adoção de crianças com deficiência é uma questão complexa, que envolve não apenas a vontade de adotar, mas também um compromisso com o cuidado e o desenvolvimento dessas crianças. A sensibilização da sociedade e o apoio do governo são essenciais para mudar essa realidade.


