O Irã enfrenta um apagão de internet que já dura uma semana, desde o dia 28 de fevereiro, quando o regime teocrático começou a cortar o acesso à rede em resposta à ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel. O bloqueio, que já se tornou uma prática comum durante protestos antigoverno, mergulhou o país em uma grave crise de comunicação e informação.
De acordo com a plataforma de monitoramento NetBlocks, a conectividade no Irã caiu para cerca de 1% dos níveis normais, o que impossibilitou a realização de tarefas simples como usar o Google Maps ou acessar informações online. Apenas uma intranet local limitada permanece disponível.
A situação gerou grande preocupação entre os iranianos no exterior, que relatam dificuldades em contatar familiares no país. Hayberd Avedian, membro de uma associação juvenil na Alemanha, expressou seu desespero ao tentar obter notícias de seus pais, perguntando-se diariamente sobre seu bem-estar. Outros iranianos exilados compartilham experiências semelhantes, temendo pela segurança de seus entes queridos.
Embora a maioria da população esteja isolada do mundo digital, um pequeno grupo ligado ao regime ainda tem acesso à internet através de ‘chips brancos’, cartões pré-pagos anônimos. Isso permite que eles disseminem propaganda do governo, enquanto o restante da população enfrenta barreiras severas de comunicação.
O apagão digital não apenas dificulta a comunicação, mas também coloca vidas em risco, já que os cidadãos têm acesso limitado a alertas sobre ataques aéreos emitidos pelos militares israelenses. Especialistas afirmam que a situação atual não é apenas um problema individual, mas um desafio social que impede a organização de protestos e a divulgação de informações sobre as ações do governo.


