Durante a Copa do Mundo de 2026, a Noruega tem atraído a atenção com sua campanha e a presença de torcedores usando capacetes com chifres, incluindo o famoso jogador Erling Haaland, que adotou o acessório após a classificação da seleção para as oitavas de final contra o Brasil. No entanto, esse símbolo nunca foi realmente utilizado pelos vikings.
A representação do capacete com chifres surgiu séculos após a Era Viking, quando artistas europeus passaram a retratar guerreiros nórdicos com esse adereço por motivos artísticos. Na Escandinávia medieval, o termo ‘viking’ não designava um povo, mas uma atividade relacionada a expedições marítimas.
Os chifres, na época, simbolizavam força e virilidade, bem diferentes da conotação negativa que possuem hoje. Johnni Langer, professor da UFPB e membro do Núcleo de Estudos Vikings e Escandinavos, explica que a imagem do viking com chifres se popularizou no século 18, quando nações buscavam criar uma imagem de força.
A influência da tradição artística alemã também é notável, pois desde o século XVIII, artistas retratavam guerreiros germânicos com capacetes semelhantes. O sucesso das óperas de Richard Wagner no século 19 ajudou a consolidar essa imagem na cultura popular, que se perpetua em obras contemporâneas como filmes e séries.
Além disso, a famosa ‘remada viking’, adotada por torcedores noruegueses, não tem raízes históricas, sendo uma invenção moderna criada em março de 2026 por Ole Frøystad, um professor norueguês. A coreografia foi testada durante um amistoso e rapidamente se tornou um símbolo da torcida na Copa do Mundo, mostrando como a estética viking continua a fascinar e inspirar a cultura contemporânea.


