A popularização dos óculos inteligentes tem gerado um novo fenômeno nas redes sociais: pegadinhas gravadas secretamente com pessoas desconhecidas. Esses dispositivos, que incluem câmeras e microfones embutidos, levantam preocupações sobre a privacidade e a exposição de indivíduos sem seu consentimento.
Modelos como o Ray-Ban Meta, lançado no Brasil em setembro de 2025, possuem uma luz indicativa que sinaliza quando estão gravando. No entanto, alguns usuários danificam essa luz para gravar sem que as pessoas percebam.
Esses vídeos têm se tornado virais em plataformas como TikTok e Instagram, acumulando milhões de visualizações. Um exemplo de pegadinha popular é a simulação de pagamento por aproximação em caixas de supermercado, onde a reação do funcionário é gravada sem a autorização prévia.
A advogada Patrícia Peck destaca que filmar alguém em público não é automaticamente crime, mas a falta de aviso ou consentimento pode aumentar o risco legal. A Meta, por sua vez, afirma que os usuários devem cumprir as leis aplicáveis e usar os óculos de maneira respeitosa.
Recentemente, o TikTok removeu vídeos que violavam suas políticas de privacidade, enquanto a MSC Cruzeiros proibiu o uso desses dispositivos em áreas comuns de seus navios para proteger a privacidade dos hóspedes.
Especialistas alertam que a discussão sobre o uso de óculos inteligentes ainda está em desenvolvimento, e a responsabilidade por gravações indevidas recai sobre o usuário, embora as fabricantes também possam ser responsabilizadas em certas circunstâncias.


