Em 23 de julho de 2025, o ex-presidente Donald Trump assinou uma ordem para exportar pacotes completos de inteligência artificial, colocando o Brasil entre os países prioritários para essa tecnologia, ao lado de Egito e Indonésia. Esta ação intensifica a competição entre os Estados Unidos e a China por influência tecnológica global.
O Brasil, que já firmou um memorando com a China para colaboração em IA, também está em negociações com Washington. A presença americana no Brasil é considerada crucial antes que a influência chinesa se torne dominante. O país é visto como um mercado emergente com grande potencial, semelhante ao que ocorreu com o Japão após a assinatura de um acordo tecnológico com os EUA.
Os acordos americanos visam não apenas a venda de hardware, mas também a criação de um ecossistema tecnológico que inclui padrões técnicos e governança. Entretanto, essa dependência de tecnologias americanas levanta preocupações sobre a autonomia do Brasil, especialmente em relação ao CLOUD Act, que permite ao governo dos EUA requisitar dados armazenados por provedores americanos.
Enquanto o Brasil busca inspiração no AI Act europeu para sua própria legislação, a implementação das normas pode ser influenciada por corporações multinacionais americanas. Apesar disso, o Brasil possui vantagens significativas, como ser o maior mercado de dados da América Latina e ter uma matriz energética limpa, tornando-se um parceiro atraente para ambos os países.
A questão central que se coloca é: ao aceitar os pacotes de IA dos EUA, o Brasil está abrindo mão de sua autonomia em decisões futuras que podem ser influenciadas por modelos desenvolvidos fora de suas fronteiras.


