Após a revelação feita pelo g1 sobre as mudanças nas regras de correção da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025, surgiram questionamentos sobre as alterações nas cinco competências avaliadas. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) negou oficialmente qualquer modificação, mas documentos enviados aos corretores indicam três principais diferenças em relação a edições anteriores.
As mudanças incluem uma regra mais aberta na competência 4, que avalia o uso de elementos coesivos, uma punição maior na competência 5 para candidatos que não incluírem a “ação” na proposta de intervenção e um aumento no peso dado ao repertório sociocultural, afetando duas competências.
Professores e corretores mencionaram que essas orientações tornaram a correção mais rígida em alguns aspectos e mais subjetiva em outros. Isso pode explicar a queda nas notas de candidatos que, em anos anteriores, obtiveram resultados acima de 900 pontos. Um exemplo é Guilherme, de 23 anos, que obteve apenas 740 pontos nesta edição.
As competências avaliadas são: Competência 1: domínio da norma culta, sem mudanças; Competência 2: compreensão da proposta e aplicação de conceitos, com a exigência de repertório sociocultural; Competência 3: seleção e organização das informações, agora interligada à competência 2; Competência 4: mecanismos linguísticos, agora com critérios mais subjetivos; Competência 5: proposta de intervenção, com uma nova penalidade para a ausência do elemento “ação”.
O Inep reafirmou que não houve mudanças nos critérios de correção. Manuel Palacios, presidente do Inep, destacou que a correção é realizada por avaliadores capacitados, garantindo justiça no tratamento a todos os participantes. Contudo, a nova regra que aceita notas das últimas três edições do Enem para o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) gerou insatisfação entre novos candidatos, que se sentiram em desvantagem em relação a veteranos.
Além disso, a precarização das condições de trabalho dos corretores, que recebem cerca de R$ 3 por texto corrigido e enfrentam alta carga de trabalho, também foi apontada como um fator que pode ter contribuído para a inconsistência nas notas.


