Diante de um cenário alarmante em que quase 64 milhões de brasileiros estão fora da escola sem concluir a educação básica, foi lançada nesta terça-feira (7) a Rede EJA e Inclusão Produtiva. A iniciativa, que reúne 16 organizações da sociedade civil, fundações e organismos internacionais, visa ampliar o acesso à Educação de Jovens e Adultos (EJA) e fortalecer políticas públicas voltadas a esse público.
Coordenada por instituições como a Fundação Roberto Marinho, Fundação Bradesco, Fundação Itaú e Fundação Arymax, em parceria com a UNESCO e UNICEF, a Rede busca articular a produção de conhecimento, influenciar políticas públicas e mobilizar diferentes setores para aumentar as oportunidades de escolarização e inclusão produtiva de jovens, adultos e idosos.
Um estudo inicial divulgado pela iniciativa revela que a EJA atende apenas 1,5% da demanda potencial, com a maior parte da redução do número de pessoas sem escolaridade básica ocorrendo devido ao envelhecimento e à mortalidade da população, e não pelo retorno à escola. A pesquisa estima que a baixa escolaridade representa uma perda de R$ 66 bilhões por ano em renda do trabalho para o país.
Os organizadores destacam que o lançamento da Rede ocorre em um momento estratégico, com a implementação do novo Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelece metas para ampliar a alfabetização e integrar a EJA ao ensino profissionalizante. A expectativa é que a articulação entre governos, organizações sociais e o setor privado contribua para transformar as metas do PNE em políticas públicas permanentes.
O estudo também revela que 63,9% dos brasileiros sem educação básica são pessoas pretas ou pardas, e que 49,2% são mulheres. Além disso, a pesquisa aponta que a baixa escolaridade está ligada à pobreza e à desigualdade social, com 56,5% dos indivíduos fora da escola vivendo em domicílios com renda de até um salário mínimo.
Para enfrentar esses desafios, o relatório propõe sete medidas prioritárias, incluindo a criação de metas para aumentar o número de pessoas que concluem a educação básica e a necessidade de ações de busca ativa para localizar aqueles que abandonaram os estudos. A Rede EJA e Inclusão Produtiva atuará ao longo da próxima década para promover a inclusão produtiva e ampliar o acesso à educação básica.


