Um documento oficial do Ministério da Saúde, emitido em 22 de janeiro de 2026, contradiz uma resposta considerada correta pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) no gabarito da primeira etapa do Revalida 2025.02. Candidatos que participaram do exame solicitam a anulação da questão, argumentando que um ponto a mais poderia ter sido decisivo para seus resultados.
O Revalida, cujos resultados foram divulgados em dezembro de 2025, é um exame que habilita médicos formados no exterior a exercer a profissão no Brasil, exigindo um desempenho mínimo de 61 acertos em 100 questões objetivas. A questão em disputa envolve uma médica atuando em uma comunidade indígena na Amazônia, onde os candidatos deveriam identificar o método preventivo medicamentoso mais adequado para evitar a malária.
O gabarito do Inep apontou a doxiciclina como a resposta correta, mas o Ministério da Saúde, em resposta a uma solicitação de informação, afirmou que não há recomendação de profilaxia para malária em áreas endêmicas no Brasil, incluindo a Região Amazônica. O documento ressaltou que o país possui uma rede de serviços de diagnóstico e tratamento da malária, que garante exames e tratamento gratuitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Em resposta a outra pergunta, o Ministério reiterou que a quimioprofilaxia não é indicada para moradores ou profissionais de saúde no Brasil, citando que a eficácia dessa profilaxia é considerada baixa para a espécie Plasmodium vivax, predominante no país. O infectologista da Fiocruz, Marcus Lacerda, também destacou que a avaliação de casos como o da médica deve ser feita individualmente, sem diretrizes nacionais do Ministério da Saúde.
O g1 contatou o Inep para questionar sobre a possibilidade de anulação da questão, mas não obteve resposta até o momento. A mesma questão foi anulada em outro exame, o Enamed, mas não no Revalida, o que gerou questionamentos sobre a consistência dos critérios de correção.


