No terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o crédito direcionado, que possui juros menores, voltou a crescer, conforme dados do Banco Central (BC). Esse aumento na modalidade de crédito faz com que a taxa Selic permaneça elevada, atualmente em 14,5% ao ano.
O crédito direcionado é um financiamento com finalidade específica, regulamentado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), e inclui atividades setoriais como imobiliária e rural. A taxa média de juros do crédito direcionado foi de 9,3% ao ano até março de 2026, enquanto os empréstimos normais alcançaram 38,8% ao ano.
O BC alerta que o crescimento do crédito direcionado e as incertezas sobre a dívida pública podem elevar a taxa de juros neutra da economia, impactando a política monetária e o controle da inflação. O aumento do crédito direcionado foi observado após uma queda durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Analistas indicam que, em vez de aumentar o crédito com juros favorecidos, o governo deveria considerar um corte de gastos mais intenso para reduzir as taxas de juros para todos os setores. A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) também enfatiza que a interferência governamental na definição de taxas de juros pode gerar distorções na alocação de recursos.
O crescimento do crédito direcionado ocorreu em um ano eleitoral, com novas linhas de crédito sendo anunciadas, o que dificulta a queda da taxa Selic e a acessibilidade ao crédito em geral.


