Apesar da expectativa positiva dos mercados financeiros, a presença de minas navais e a fragilidade do acordo entre Estados Unidos e Irã indicam que a situação no Estreito de Ormuz deve demorar para retornar ao normal. No domingo (14), os dois países anunciaram um acordo preliminar para encerrar a guerra, destacando a reabertura do estreito, que é crucial para o suprimento mundial de petróleo.
O presidente dos EUA, Donald Trump, expressou otimismo ao afirmar: “Navios do mundo, liguem seus motores. Que o petróleo flua!”. Contudo, especialistas alertam que restaurar o tráfego de petróleo e gás enfrenta obstáculos significativos. O editor-chefe do site Lloyd’s List, Richard Meade, enfatizou que a remoção de minas e o uso seguro das rotas internacionais são pré-requisitos para a navegação.
A remoção das minas navais, que o Irã instalou durante o conflito, pode levar de 40 a 50 dias, de acordo com avaliações de especialistas. A chefe de análises de energia da Kpler, Amena Bakr, estima que esse processo pode durar até seis meses. Além disso, o ministro alemão do Exterior, Johann Wadephul, afirmou que a Alemanha considerará participar das operações de remoção apenas após a confirmação do cessar-fogo.
Mesmo após a remoção das minas, as empresas de navegação enfrentarão custos elevados de seguro contra riscos de guerra, que atualmente variam de 1% a 4% do valor da embarcação por travessia, em comparação com taxas de menos de 0,1% antes do conflito. O chefe global de pesquisa da Oil Brokerage Ltd, Anoop Singh, destacou que a disposição dos proprietários de navios em assumir riscos pode variar significativamente.
Além disso, a reabertura do estreito não significa que a navegação se restabelecerá rapidamente. Estima-se que cerca de 300 navios estejam parados no Golfo Pérsico, enquanto outros 250 aguardam carregamento. A recuperação das operações dependerá da restauração dos cronogramas de envio e da confiança dos compradores internacionais.
Por último, o Irã exige o direito de cobrar taxas de navios que utilizam o estreito, o que pode gerar um dilema para os armadores, dado que os EUA e a União Europeia classificam o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica como organização terrorista. O futuro do acordo entre os dois países permanece incerto, com questões não resolvidas que podem reascender o conflito.


