O Brasil vive um jejum de 24 anos sem conquistar a Copa do Mundo, e relembrar 2002 traz à tona não apenas o bom futebol, mas também um panorama econômico e tecnológico bem diferente do atual. Naquele ano, as redes sociais ainda não existiam e o uso de celulares se limitava a aparelhos simples, como o famoso Nokia, que era capaz de trincar azulejos ao cair no chão.
No mercado automotivo, o cenário era igualmente distinto. Em julho de 2002, o automóvel mais acessível era o Fiat Uno Mille três portas a álcool, que custava R$ 13.577, o equivalente a aproximadamente R$ 55.589 em valores corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de hoje. O modelo, que possuía motor 1.0 aspirado de quatro cilindros e 61 cv de potência, oferecia apenas o básico em equipamentos, como vidros verdes e cintos de segurança traseiros laterais de três pontos.
Naquela época, a renda média do brasileiro era de R$ 636, que, quando corrigida, corresponde a cerca de R$ 2.604 nos dias atuais. O preço do combustível também era consideravelmente mais baixo: a gasolina custava R$ 1,77, enquanto o etanol (na época chamado de álcool) era vendido a R$ 0,94.
O mercado automotivo brasileiro de 2002 também não contava com carros flex. O primeiro modelo desse tipo, o Volkswagen Gol, seria lançado apenas em 2003. Além disso, a picape Fiat Strada se destacava como a mais vendida do país, respondendo por cerca de 40% do segmento de picapes compactas.
Por outro lado, o cenário atual apresenta uma significativa mudança, com o mercado de SUVs crescendo consideravelmente. Em 2025, 43,1% dos veículos vendidos no Brasil eram SUVs, um segmento que mal existia em 2002. O Ford Ecosport, apresentado no Salão do Automóvel daquele ano, inaugurou o segmento dos SUVs acessíveis, mudando a dinâmica do mercado.
Com o avanço do tempo, o mercado automotivo nacional cresceu de forma expressiva, passando de 1,4 milhão de automóveis vendidos em 2002 para mais de 2,5 milhões em 2025. A frota circulante também aumentou consideravelmente, passando de 18,4 milhões de veículos em 2002 para uma estimativa de mais de 40,3 milhões em 2024.


