A inteligência artificial (IA) está se consolidando como um diferencial competitivo na indústria da moda, com marcas adotando modelos gerados por IA para criar imagens realistas para suas lojas online. Essa prática pode reduzir os custos em até 90% em comparação com sessões de fotos tradicionais com modelos humanos.
No entanto, essa inovação levanta preocupações sobre a sobrevivência da profissão de modelo, uma vez que há escassa regulamentação sobre o uso de réplicas digitais. Modelos correm o risco de ter suas imagens reproduzidas sem compensação ou de serem completamente substituídos por versões artificiais.
A Reuters entrevistou 15 diretores de agências e analisou contratos confidenciais de sessões fotográficas, revelando que marcas como Diesel, Calvin Klein e L’Oréal estão considerando cláusulas que permitem a modificação de imagens de modelos reais e a criação de cópias digitais sem remuneração adicional.
Enquanto empresas de moda rápida, como a Mango, já utilizam modelos gerados por IA, marcas de luxo como Moncler e Gucci estão avançando com cautela. A Moncler testou uma campanha com IA em 2023, enquanto a Gucci gerou polêmica ao publicar imagens criadas por IA nas redes sociais.
O impacto da IA na indústria é palpável, com agências observando uma queda na demanda por modelos e estúdios fotográficos fechando. Adot Gak, modelo de Londres, expressou sua preocupação, afirmando que em breve a indústria pode ser dominada por robôs, caso não haja um movimento contra isso.
A falta de regulamentação adequada é um fator crítico, com apenas a Lei dos Trabalhadores da Moda em Nova York proibindo a criação ou modificação de réplicas de modelos sem consentimento. A Model Alliance, organização que apoia modelos, defende a necessidade de legislações semelhantes em outros estados e em nível federal.


