Na linguagem das redes sociais, ter ‘aura’ significa possuir um tipo de magnetismo difícil de explicar. Presença, confiança, estilo e mistério são elementos que compõem essa capacidade de ser interessante sem parecer muito empenhado em alcançar tal objetivo.
O Dicionário Cambridge já inclui ‘cultivar aura’ como a prática de agir de forma a projetar uma personalidade atraente ou interessante. A expressão, que pode parecer efêmera, reflete uma obsessão social que remonta a séculos. Durante anos, diferentes termos foram utilizados para descrever a mesma necessidade de projetar algo que os outros reconheçam como especial.
No século 17, Luís 14 ‘farmava aura’ em escala estatal, utilizando cerimônias e protocolos em Versalhes para comunicar seu poder. A corte era uma complexa rede de etiqueta e hierarquia, onde cada gesto contribuía para moldar a imagem do monarca.
O conceito de sprezzatura, introduzido no século 16, reforça a ideia de que o esforço para parecer interessante deve ser ocultado. O dândi George ‘Beau’ Brummell, no início do século 19, exemplificou essa ideia ao transformar sua aparência e comportamento em uma fonte de influência social, fazendo parecer que não se esforçava para isso.
Atualmente, as ‘batalhas de aura’ se assemelham a competições de dança, onde a atitude e o carisma são tão importantes quanto a habilidade técnica. Essas competições revelam que a aura depende do reconhecimento social, um conceito que o sociólogo Pierre Bourdieu explorou ao discutir o capital cultural e simbólico.
As mídias sociais transformaram a apresentação de nossas vidas em performances, onde até mesmo a espontaneidade pode ser ensaiada. Essa nova dinâmica de ‘cultivar aura’ introduz uma forma curiosa de sinceridade, onde o reconhecimento da performance é parte do jogo. Embora o TikTok não tenha inventado a aura, atribuiu uma pontuação a ela, refletindo uma busca contínua pela presença e pelo carisma.
Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation.


