A prisão de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, na quinta fase da Operação Compliance Zero, marca um novo capítulo nas investigações sobre o ex-controlador do Banco Master. A operação, realizada pela Polícia Federal (PF), investiga uma série de crimes atribuídos a Daniel Vorcaro, incluindo lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa.
A investigação, que começou com a suspeita de venda de títulos financeiros falsos, revelou um esquema complexo que inflacionava artificialmente o valor do Banco Master, atraindo bilhões de reais de investidores sem garantias reais. A PF aponta que a instituição mantinha uma “linha de produção” de documentos falsificados para simular operações financeiras inexistentes.
Além disso, a PF investiga a utilização de uma rede de fundos de investimento para ocultar a origem de recursos suspeitos, com a circulação de ativos entre diferentes empresas ligadas ao grupo, criando uma falsa percepção de rentabilidade. Um dos exemplos citados envolve a manipulação de ativos do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), que foram registrados com valores muito acima do real.
As investigações também levantam suspeitas de ligações entre a estrutura financeira do Banco Master e a Operação Carbono Oculto, que investiga lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). A PF apura se recursos utilizados na compra de participação da SAF do Atlético-MG estão ligados a operações de lavagem de dinheiro.
Para sustentar o esquema, Daniel Vorcaro é acusado de comandar uma estrutura organizada que utilizava táticas de intimidação e monitoramento de adversários. A PF destaca que o grupo continuou suas atividades mesmo após as primeiras fases da operação, demonstrando uma capacidade de reorganização e continuidade criminosa.
A defesa de Henrique Vorcaro questiona a legalidade das provas e a necessidade da prisão, argumentando que a decisão foi baseada em fatos ainda não comprovados.


