A trend masculinista conhecida como ‘Caso ela diga não’ tem gerado forte repercussão na imprensa francesa, com destaque para matérias publicadas em jornais, sites e emissoras de TV. Essa trend, que se tornou viral no TikTok, envolve vídeos em que homens simulam reações violentas após serem rejeitados em pedidos de namoro ou casamento.
Na segunda-feira (13), o jornal Le Parisien destacou que esses vídeos, que mostram homens ‘treinando’ para agredir mulheres, têm se tornado cada vez mais acessíveis e violentos. A matéria também fez referência ao caso de Alana Anisio Rosa, de 20 anos, que sobreviveu a uma tentativa de feminicídio em fevereiro, após recusar os avanços de um homem em São Gonçalo (RJ).
A mãe de Alana afirmou que o agressor se inspirou em vídeos do TikTok que promovem violência contra mulheres. O site 20 Minutes observou que muitos desses conteúdos tiveram milhares de visualizações e podem contribuir para o aumento da violência de gênero no Brasil, onde em 2022 foram registrados 1.586 feminicídios.
A jornalista Mathilde Serrell, em sua crônica na rádio France Inter, comparou a situação no Brasil à série de TV ‘Adolescência’, que retrata um feminicídio motivado pela rejeição. Ela expressou a esperança de que a repercussão do caso de Alana leve a mudanças nas leis contra a misoginia. A mobilização contrária à trend também tem ganhado força nas redes sociais, com internautas defendendo o respeito às decisões das mulheres.


